visitante(s) soprando palavras ao vento




29.6.05

IDÉIAS DE UM RESCÉM NASCIDO?
Acho que, dentre outras, é a Estupefação;
Toda a nossa proclamada Razão
Que ele não tem.
Sem ser uma tábula rasa,
Tem idéias de como assimilar
Idéias de sonhos e ideais,
Sem pensar em nada disso.

Tem olhos voltados à todas coisas,
À toda a Eternidade,
À tudo que vai porque tudo fica
Indo ao seu fim
Para que o novo nasça,
Ainda que ao anterior se pareça.

Ri de todas as coisas,
E chora por causa de outras.
Tem a surpresa diante de todas as coisas,
E olhos contentes de explorador da Existência.

Penso eu:
Ouvem todas as imagens,
E vêm todas as mensagens
Em sons da natureza para os quais os adultos, sabidos como são,
Não dão atenção.

Crescemos, e nossos olhos piram.
Um demônio chamado indiferença toma conta deles.
Crescemos,
E nossos olhos ficam caducos:
Passamos a ver tudo
Uma massa chata e disforme só;
Sem beleza.
Não nos surpreendemos com mais nada,
E alguns infelizes, buscam
Viajar em onirismo entorpecido
Esquecidos de si mesmos e de
Quão belo é o olhar que vai além do ver.

E então nos tornamos cidadãos deste mundo máquina:
Senhores e senhoras respeitáveis,
Pagadores de impostos e cumpridores dos seus deveres
Estáveis.
E também há os não-cidadãos que vivem de cruzamentos e esquinas.

Queria que todos tivessem olhos de bebês,
E voltassem a morar no alto dos pêlos
Do Grande Coelho Branco
Que se chama Universo.
Quando me tornar um deles,
Talvez findem os meus versos.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:58 AM
 


27.6.05

Meu querer

Te quero sem barreiras, sem fronteiras, sem poréns...
Te quero do meu jeito, do teu jeito assim perfeito
Com este fogo que só tu tens.
Te quero inteiro e verdadeiro
Não te quero submisso , nem omisso
Só te quero.
Não te quero só por momentos.
Estejamos atentos ao mal que podemos causar.
Te quero para uma vida inteira,
Faça sol ou faça chuva.
Porém amor,
Se meu querer te assusta,
Deixa ser , deixa estar.
Que te prefiro solto
Pássaro alçando vôo
Mesmo que pra não voltar!

Poema de: Bianca Perussolo ( minha mestra das letrinhas )

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 11:47 AM
 


24.6.05

Poema de Emily Dickinson

"Alguns guardam o Domingo indo à Igreja
Eu o guardo ficando em casa
Tendo um Sabiá como cantor
E um Pomar por Santuário.
Alguns guardam o Domingo em vestes brancas
Mas eu só uso minhas Asas
E ao invés do repicar dos sinos na Igreja
Nosso pássaro canta na palmeira.
É Deus que está pregando, pregador admirável
E o seu sermão é sempre curto.
Assim, ao invés de chegar ao Céu, só no final
Eu o encontro o tempo todo no quintal."

(Emily Dickinson, 1830-1886)

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 10:38 AM
 


21.6.05

DIAS FRIOS DE CÉU NUBLADO

Em dias frios de céu nublado
Com a chuva fina, serena, caindo,
Em paz ter a alma quente, aconchegada num braço amado.
Estar radiante diante do dia escuro, com a sensação de ainda estar dormindo,
Sonhando com todas as coisas,
Rindo para elas
E trazendo a felicidade em bom estado.
A vida simples,
O coração pintando aquarelas alegres
Com leves pincelados,
Que levem além do além de mim.

Reflexiva,
Olho pela janela a chuva regar o dia.
Às vezes imagino
Em cada pingo todo um mundo que só tenha alegria.
Por isso dizem que sou romântica ou muito imaginativa.

E na janela sonhando
Com os olhos abertos sem nada ver além de dentro,
Como um anjinho silencioso e brincalhão,
O amor vem por trás pisando leve,
Devagarinho no chão:
O beijo rotineiro, mas apaixonado;
De todas as manhãs tão aguardado.

Onírica é a paixão,
E um coração de sonhadora é o que trago no peito.

Esqueço de tudo, perco isso que chamam respeito:
Meu corpo e alma entregues no leito.
Meu êxtase arrebenta em explosão.
É quando sou Lilith, a pura perdição.

Acordo depois,
Suada, pensativa.

É incrível como ainda há
Gente que gosta dessas
Inverdades contadas em versos sonhados
Dos sonhos que têm a liberdade até da existência.

Atônita,
O piano quieto me toca:
Toda a vida uma breve sonata,
Com os contrapontos de Bach bem presentes.

Toda eu,
Todo o meu viver,
Toda a minha vida,
Talvez não passe de criação e ilusão.
Talvez não haja além,
E eu sequer tenha a obrigação de existir.
Só me imploro a ser feliz.

Quem sabe eu toda
Uma dama onírica.

Eu?,
Versos escritos nos poemas de alguém.
Porém amo,
E sou completa.

Poema de: Francine Maria Reis

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 9:25 AM
 


14.6.05

ÀS VEZES
Pensamos,
Acreditamos,
Rezamos.

E sendo quem somos,
Acreditamos que não precisamos de nada.
Mas às vezes sucumbimos,
E também às vezes desistimos:
Nem tudo acaba, como e sonho, tão bem.

Às vezes nos apaixonamos.
Amamos.
E às vezes nos machucamos

( Mas nada foi em vão
Se ainda há alguma marca ou lembrança
De quando sonhar acordado era tão
Bom, e brincava com sonhos como Lego de criança ).

Às vezes...
Desistir de um sonho.
Não saber na vida onde a razão dela ponho,
E tê-la que desviar para um outro lugar.
Continuar a navegar, e quem sabe sonhar.

Às vezes...................................................
O que mais notamos na vida é a falta do que não está nela
( E esta saudade dói,
Mas o coração cicatriza ).

Navegar é preciso...

Poema de: Francisco Maximiano da Silva
*Nota: O verso "Navegar é preciso" é de Fernando Pessoa.

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:20 AM
 


9.6.05

O Dom da Vida

SINA:
A Sina Fatal
Dos desesperançados que viveram amores quebrados.
Amores que não existiram,
E a ilusão quebrada da criança sem carinho
Que não ganhou o brinquedo
E nem o amor.

Sina:
A Sina Idiota e banal
Dos esperançosos- tolos,
Sonhadores de amores que não viverão:

Sina dos atormentados,
Sina dos obcecados,
Sina dos atolados,
Sina dos desesperados,
Sina dos namorados separados
E daqueles que nunca se conheceram.

Sina:
A Sina dos Horrores da vida,
De amores que só trazem dores,
De partos natimortos,
Crianças que morrem de fome,
Crianças espancadas,
Mulheres estrupadas,
Meninos sem lar,
Vidas acabadas
E meus versos enlouquecidos
Em convulsão verbal contida.

Sina:
Sina de não saber
Ao certo,
Que esta benção
, A vida,
Que Deus deu à uns
É a maldição com que o diabo presenteou outros.

Sina.
Ah, Sina Infeliz!
Será que felizes sempre são os outros
Porque não são nós
( Será? )?

( Fim da Sina )

Poema de: Frank Leber

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 9:25 AM
 


6.6.05

2 Poemas para Hoje
( Seja Hoje Quando For )


O ser feliz entre amantes?:
Fazer quem ama feliz
Em feliz amor.
Um estado misto
De não diferenciação
Entre
O Mim e Outra Parte

( Sem saber direito
Quem é o Mim e Outra Parte.
Dizer: "Entre no coração",
Onde tem criança fazendo arte,
E as crianças são a gente ).

Estado realisticamente surreal
Em que
O real já não tem de haver.

Ser feliz entre amantes:
Juntos ser um Ser.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva


EVIDENTE o mundo?
Ora,
Não acho o mundo uma evidência
Só porque estou metido nele.
Poderia ser tanta coisa
- que não sou -
E ser tão real quanto um personagem de ficção.

( E por que não seríamos
Nós persongens;
Seres oníricos e de utopia real e concreta
,A qual chamamos Realidade,
No longo sonho do Senhor dos Mundos ).

Poema de: Francisco Maximiano da Silva

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 9:34 AM
 


2.6.05

Carta em dois Poemas
( Para Frank Leber )



Sabes mesmo,
O que é amar alguém?

É inútil.

É inútil adorar-te como um deus perverso ou desatento,
Um ídolo de madeira, barro, metal ou plástico.
Só um ídolo...
O meu ídolo!

É inútil te ver.
É inútil te falar:
"Queria só te ter".
É inútil te amar.
É tolo e fútil.
É inútil.
INÚTIL.................................................................................
( Desabei em lágrimas ).




Aqui vai meu berro me rasgando o espírito e as entranhas.
Último berro,
Da paixão desesperada,
Desamparada,
Largada...;
Berro por ti,
O berro de dar à luz o meu amor natimorto.
Deixa pra lá.
Siga...
Não chorarei por ti.
Não,
Não derramarei mais uma única gota de lágrima por ti.
( Onde está meu orgulho?
Abandonou a roupa suja no chão,
Ficou nú,
Se encolheu num canto escuro do meu coração)
Meu rio secou.

Que me resta agora?
Um ódio de Deus ou do mundo.
Sou fraca ou forte de mais para o ódio
De Deus, do mundo, ou de mim mesma por te amar.
Ai de mim!

Acho que não sou aquela mulher moderna que parte dessa para uma noitada.
Admito: sou meio encanada.
Acho que ainda sou aquela garotinha que se encolhe e chora quando lhe botam de castigo;
A adolescente inexperiente, que não conhece os homens
( Amados e malditos homens! ),
Esperando o telefone tocar,
E que quando não toca,
Enterra a cabeça no travesseiro a chorar.
Aquela menina que veste sua melhor roupa
Só para aquele que não lhe nota;
Que empresta o carro para ele viajar com outra,
E depois chora de raiva de si mesma.
É bom ter, em momentos como esses, aquela fiel amiga para desabafar.
Eu não tenha ninguém;
Nem mais o meu amor.
Sou sozinha;
E agora,
Quero ser sozinha.
Vai ver, é a minha existência a cristalização da solidão
Acompanhada dos cachorros,
Colegas de acaso, etc e tal.
Não sou moderna;
Mulher de revista,
Cláudia, Nova ou alguma outra.
Sei lá,
Sou aquela estátua do antiquário
Que fica
Na Esquina Que Desconheço da Rua Que Não Sei;
Mas diferente dela,
Tenho um coração para sentir e uma vida para viver.
Que pena!

Sou romântica, sim.
Se quiser, também sou burra:
Uma tola patética, mas com todo o direito a sê-la.
Meu amor,
Agora esfria feito brasa fora da lareira.
Siga!
Não estou morta?
Vai, pra onde não sei,
Siga!
... sua vida.
Esqueça-te de mim!
A ti apagarei.

Nem mais uma lágrima,
Eu juro!
Por meu coração,
Eu juro...

Poema de: Francine Maria Reis

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 11:23 AM
 


1.6.05

Carta à Francine Maria Reis

Alguns acham que poesia é arma de sedução,
Outros pensam que é instrumento da emoção.
Ainda há outros débeis que pensam nela como a lira dos anjos.
Chega!
Estou farto de sentimentalismo!
Vão-se os corações ao Raio Que Os Parta.
A mais imbecil fase da literatura é o Romantismo.
( Também, num tempo, já fui romântico;
Tosco e idiota: do sanatório.
Ora!,
O amor não existe,
É mera reação química.
Romântico sim, mas só um pouco,
Como sal na salada.
Autenticamente romântico?
Não!,
Ser romântico é ser burro.
Que achas que és Francine?)

Loucura da alma escura,
É isso que tens mulher.
É esta a Realidade dura.
Isto é que quer?
Pouco me importa se vai em ti doer,
Ou se vais morrer.
À outra, sem receber,
O meu amor(?) já dei.
Só por piedade fui notado, é a verdade pura.
Gelo fervente é o que hei de ser.
Nunca te amei.
Na verdade, em minha alma,
Eu já a matei.
Viva sem mim serena,
Uma vida amena.
Mantenha-se calma;
Te mando um beijo - gelado - a voar da palma.


Poema de: Frank Leber

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:05 AM
 
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